Entrevista: A Jigsaw trazem de volta o lobo
Os A Jigsaw nasceram há cerca de dez anos e eram a típica banda de rock. Já em 2007, Susana Ribeiro juntou-se ao projecto aquando do lançamento do álbum de estreia, que apresentava já uma sonoridade mais acústica.
«Nós fomos para estúdio gravar o “Letter From The Boatman” e na altura acabámos por convidar cerca de 14 pessoas [Susana esteve entre os convidados] para nos ajudarem a pintar o resto do quadro. Mas acabámos por ter problemas porque não conseguíamos pôr 14 pessoas em palco. Então começámos a aprender cada um dos instrumentos. Quando chegou a altura de gravarmos o “Like The Wolf” passámos dos 14 convidados para nós os três a gravarmos 19 instrumentos», recordou o vocalista João Rui, numa entrevista concedida ao IOL Música.
Depois de esgotar a primeira edição do disco «Like The Wolf», a banda apresenta agora a colectânea «Like The Wolf Uncut», que traz dois temas inéditos, os quais os A Jigsaw não lançaram na primeira edição porque não queriam um álbum que tivesse muito tempo. Quanto ao conceito por trás do disco, o vocalista faz um contraponto com a perda da inocência.
«Quando somos pequenos a ideia do lobo é uma imagem muito forte. Mas à medida que vamos crescendo olhamos para o lobo e vemos que, afinal, é um cão. E é precisamente dessa quebra da ilusão que falam as letras», explicou.
Conhecidos agora por serem uma banda multi-instrumentalista, os A Jigsaw reconhecem que acaba por se tornar um vício aprender a tocar cada vez mais instrumentos, desde o piano, ao violino, passando pelo banjo, pela guitarra, harmónica, bateria, xilofone e até pelas castanholas. No total, a banda toca já cerca de 19 instrumentos e já tem mais alguns «debaixo de olho».
Mas será que a cidade de Coimbra, onde nasceram os A Jigsaw, se está a tornar uma inspiração para os artistas?
«Deve ser da convergência do Mondego, da maneira como o sol bate em Coimbra… Acho que é fruto do acaso ou talvez seja da universidade, onde tantas pessoas se cruzam», afirmou João Rui.
O grupo, que herdou o nome de uma música dos belgas dEUS, conta ainda o que é para si um verdadeiro jigsaw.
«Somos, provavelmente, nós os quatro, dentro de uma sala a compor uma música nova», disse, entre risos, o vocalista, ao que Susana Ribeiro acrescentou: «É a procura incessante da música final, porque as nossas músicas estão constantemente a sofrer metamorfoses, adaptações e reinvenções».
A banda conimbricense, que vive inteiramente para a música e que prefere os palcos mais intimistas, vai percorrer a Europa até ao fim do ano com a digressão Like The Wolf European Tour. Já no mês de Abril, os A Jigsaw saberão também o resultado do concurso International Songwriting Competition, onde estão entre as bandas finalistas.
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